Em velocidade de banda larga, a internet está influenciando cada vez mais o quadro eleitoral dos Estados Unidos. Será que a web será capaz de decidir o próximo presidente americano?
Após uma disputa acirrada com a ex-primeira-dama Hillary Clinton, o partido Democrata elegeu o senador Barack Obama para concorrer à presidência com o republicano John McCain. Para a campanha durante as primárias, os candidatos participaram de comícios, debates, palestras e entrevistas, com o objetivo de conquistar estado por estado, eleitor por eleitor, e é claro, internauta por internauta. É na web que está ocorrendo a maior corrida à Casa Branca para a sucessão de George W. Bush, e a política americana está mudando ao ver que os eleitores estão mais participativos na internet.
Ao contrário do Brasil, que valoriza a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, os Estados Unidos estão investindo na internet como palanque. Afinal, é nela que os candidatos divulgam seus objetivos, seus históricos, conquistas, vídeos e discursos. Tudo na íntegra, sem cortes, para que jovens e velhos eleitores possam decidir quem será o novo presidente em 2009.
Obama ou McCain? Quem se destaca na Web?
Durante as primárias, a internet foi o palco principal para os debates do partido democrata. E a vitória de Obama contra Hillary Clinton foi possível graças aos recursos que explorou na internet. Em seu site, Obama recebeu milhares de mensagens de incentivo e ajuda financeira para sua campanha pelos Estados Unidos. O artigo The Amazing Money Machine, de Joshua Green, editor da revista The Atlantic, mostra como Obama usou e abusou das redes sociais para divulgar a campanha e arrecadar dinheiro. Green conta que o candidato democrata conseguiu 1, 276 milhões de doadores, que só em fevereiro, contribuíram com US$ 55 milhões, sendo que US$ 45 milhões foram doados via internet. Além do seu próprio site, Obama conseguiu votos através do Youtube, do Facebook e do MySpace - os sites de relacionamento mais famosos nos EUA – contando ainda com centenas de blogs, que se multiplicam à medida que ele consegue mais partidários. Seu slogan Change – we can belive in (Mudar – nós podemos acreditar), faz sucesso exatamente por incluir o we (nós). Cada um dos eleitores se sente parte da campanha, e quer fazer o que for possível para ajudar Barack Obama a conquistar o mandato. Comparado à Hillary Clinton e a John McCain, Obama ainda é jovem, e sabe que a web pode ajudar – e muito – na candidatura.
Apesar de todo o entusiasmo e investimento dos democratas na internet, o republicano McCain não fica para trás quando o assunto é política no mundo digital. No quesito site, o de McCain é distinto, interativo e interessante. Com opções em inglês e espanhol, o internauta-eleitor escolhe a edição que prefere acessar: partidário, indeciso ou voto não registrado. McCain exibe vídeos, apresentações multimídia, e convida o eleitor para participar de sua comunidade on-line, comprar camisetas e canecas na web. No blog, o republicano ganha do democrata. Pelo menos é o que diz o jornalista da Newsweek, Andrew Romano, no artigo Obama´s official blog is boring, McCain´s is enjoyable (O blog oficial de Obama é chato, o de McCain é divertido). Para conquistar o eleitorado mais jovem, McCain conta também com a ajuda da filha Meghan McCain, autora do blog McCainBlogette. No blog, Meghan divulga Música e cultura popular na trilha política de John McCain.
Mas nem todos levam política e internet a sério. O site Gawker, por exemplo, já está selecionando as melhores piadas da web que farão Obama ganhar as eleições. E o que não falta são vídeos no Youtube, desde os amadores feitos pelos próprios eleitores, até profissionais, como do comediante ventríloquo Jeff Dunhan, que parodiza McCain no personagem Walter.
Até o dia 4 de novembro, muitos vídeos, sites e blogs irão surgir para apoiar – ou criticar - os candidatos. Mas o que os candidatos, eleitores, cientistas políticos e especialistas já descobriram é que a internet ainda vai deixar a disputa ainda mais acirrada.
Leia mais: aprenda como funcionam as eleições nos Estados Unidos
6 comentários:
É interessante perceber as diferenças entre EUA e Brasil... Por aqui, as capanhas são baseadas em rádio e TV porque a internet chega a uma minoria ínfima da população (quanto mais a banda larga!). Além disso, esses meios não deixam muito espaço para discussão: é apenas um falando para muitos, ideal para a formação de currais eleitorais no interior do Brasil. Com a internet a história é outra. Acho que a partir de agora a blogosfera vai ter peso cada vez maior como espaço de discussão e debate político.
Legal Igor! É isso mesmo!
Aqui no Brasil podemos começar divulgando o site
www2.camara.gov.br, onde é possível encontrar a biografia completa dos deputados, endereço, telefone, projetos de lei, e até ver o relatório de presença no Plenário. Uma ótima fonte que está a poucos cliques de distância. ;-)
O que eu pensei lendo foi mais ou menos o que o Igor escreveu...Aqui no Brasil, muita gente ainda não tem acesso a internet...Já o rádio está em 98 ou 99% das casas.
Mas, é impressionante ver como a internet pode alterar os rumos da política!
Será que vamos ver uma eleição com essas características no Brasil?
O que eu acho mais legal nessa iniciativa é a possibilidade de atingir os mais jovens. Como nos EUA não é obrigatório votar como aqui, a internet pode ser uma ótima plataforma para atingir novos eleitores que não se interessam pela política. Será que um dia nós vamos ter isso aqui no Brasil?
A internet não deixa de se um meio de comunicação, tanto ela pode unir ou separar as pessoas, Tenho certeza que um futuro próximo todos os lares terão o seu computador. E o Brasil está na frente dos EUA em relação a votação, pois já usamos computadores, para evitar aquela demora na contagem dos votos e até mesmo as fraudes, muito constante nas nossa eleições passadas !! Muito boa essa reportagem !!
Juliana, muito legal o seu blog e o assunto que você pautou nesse post. A grande conquista da Internet, o fim do monopólio da fala, ainda não tem o alcance necessário para as mudanças que precisamos, pq para isso, mudanças anteriores deverão ocorrer. Antes de diminuir os males que a miséria e que a falta de cultura trazem, não adianta pensar em democracia, e muito menos na web.
Ah, a propósito, li seus comentários no meu blog e gostaria sim, depois, que você me passasse as anotações da palestra do André Trigueiro (ncortezrj@hotmail.com). Fiquei muito chateada de não ter ido, mas aconteceu um problema que realmente me impediu de participar. Obrigada!
Bjs
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